sábado, 18 de setembro de 2010

RESUMO DE ARTES NA EDUCAÇÃO APs - AULAS 1 A 30

RESUMO ELABORADO COM BASE NOS CONTEÚDOS ELABORADOS POR AMANDIO MIGUEL DOS SANTOS, MARIA HELENA PIRES MARTINS, MARIA LÚCIA DE ARRUDA ARANHA, MICHEL FOUCAUL E PATRICIA HORVAT.


Resumo de Artes  - 1º e 2º texto do livro

1º Texto
AS ARTES VISUAIS NA EDUCAÇÃO
Atualmente, as Artes, em suas diversas manifestações, são um componente curricular obrigatório nas escolas de todo o nosso país.
“Não é possível uma educação intelectual, formal ou informal, de elite ou popular, sem arte, porque é impossível o desenvolvimento integral da inteligência sem o desenvolvimento do pensamento divergente, do pensamento visual e do conhecimento presentacional que caracterizam a arte.” (BARBOSA, 2007:5).

AS ARTES ViSUAIS COMO COMPONENTE CURRICULAR OBRIGATÓRIO NOS PCNs
Se, no século XIX, as Artes eram consideradas disciplinas "nobres" e importantes na formação cultural de um país, na primeira metade do século XX, o ensino das Artes nos ambientes acadêmicos estabeleceu uma relação de subserviência com o poder político e passou a ser instrumento de reação a reformas culturais. O ensino de Arte no Brasil tendeu à cristalização.
A idéia inicial de uma missão educativa foi do naturalista e explorador Alexander Humboldt que visitara a América Latina e, nela, a Amazônia, descrevendo a geologia, a botânica, a zoologia e outros aspectos geográficos e culturais da região, segundo os parâmetros da ciência moderna. Como humanista, Humboldt acreditava que se devia fornecer aos povos os instrumentos e os conhecimentos necessários ao desenvolvimento da sua autonomia,  o que,  no  Brasil,  se  realizaria  por meio da educação para a gestão autóctone da administração pública e das ciências e técnicas.
Em 1826, D. Pedro l inaugurou o prédio da Escola, na Travessa da Artes, próximo à atual Avenida Passos, renomeando-a como Academia Imperial de Belas Artes (hoje Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro).
No Brasil, havia exímios mestres de obras, entalhadores e pintores autodidatas, herdeiros diretos dos conhecimentos trazidos pelos portugueses, que realizavam suas obras segundo as técnicas, a inspiração estética e os modelos da Arquitetura e das Artes Plásticas européias. A informalidade na formação dos construtores e artistas prevaleceu até o século XVIM. A Missão Francesa trouxe o neoclassicismo, que passou a ser o modelo artístico por excelência, suplantando a maneira barroca, até então em voga. A estética neoclássica seguia regras rígidas de composição, tais corno estabilidade, harmonia e o remetimento às formas da natureza, com a intenção de incuti-las no imaginário do espectador.
Construir uma obra de arte organizando harmonicamente elementos em profusão era a demonstração cabal de que se podia ter o controle sobre o caos em que se desenrolava a vida na época, em meio a crises políticas, guerras e epidemias. Alguém precisava fazer crer que o domínio humano sobre o mundo não era uma ilusão, e isso poderia ser feito utilizando, com destreza técnica, as artes plásticas.
Enquanto  na  Europa,   na  segunda  metade do  século XIX,  a Arte  adquiria autonomia, ultrapassando o neoclassicismo e tornava-se, sob o romantismo, antes tudo expressão das inquietações diante das transformações sociais e culturais, o Brasil, em pleno século XX, permanecia retratando eventos históricos de modo heróico e remetia a líricas representações da colonização, persistindo em copiar os modelos neoclássicos europeus até a Semana de Arte Moderna, em 1922.
Na educação artística, a situação de subserviência às formas e às regras de execução rígidas que preconizavam a cópia de modelos perdurou até as décadas de 1980 e 1990, apesar de alguns movimentos questionadores que, se operaram mudanças no âmbito das Artes, não tiveram efeito no mundo da Educação, destinando ás Artes um papel apenas acessório na formação do estudante.
Dada a formação insuficiente nas diversas linguagens e formas artísticas de alguns dos nossos professores, tendemos a acreditar que às Artes cabe apenas uma função menor dentro do currículo:
   A arte na escola já foi considerada matéria, disciplina, atividade, mas sempre mantida à margem das áreas curriculares tidas como mais "nobres". Esse lugar menos privilegiado corresponde ao desconhecimento, em termos pedagógicos, de como se trabalhar o poder da imagem, do som, do movimento e da percepção estética como fontes de conhecimento (PCN Artes, 1998: 26)
Os paradigmas da Arte e da Educação vêm se alterando profundamente, a um ideal que aponta para a convergência dos saberes.
o modelo atual brasileiro para o ensino das Artes, que percebemos ser um modelo holístico, pois reúne a compreensão da cultura e da produção artística, com o objetivo de apresentar uma visão integrada de ambas. Entende-se atualmente a construção do conhecimento artístico como uma conjunção de competências complexas, certamente interdisciplinares, e que tem suas características particulares.
Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n° 9.394/96, a arte passou a ser obrigatória na educação básica.
Os  PCN   incluíram,   então,   a   preocupação   com   a   interpretação   do   valor comunicativo da Arte, do seu valor polissêmico, subjetivo e projetivo, e de seu poder de interiorização das emoções que compõem o fenômeno artístico, assim como trouxeram uma preocupação fundamental com a formação do professor, a fim de que possa inserir os conteúdos das Artes em sua práxis, corroborando uma tendência verificada entre os especialistas em Artes e Educação: a de incluir as diversas formas de expressão artística em suas preocupações, tendo a considerar a Arte como uma atividade produtiva e comunicativa.
Para que essas orientações se tornem realidade em nossas salas de aula, é necessário que os professores tenham uma formação consistente, que lhes ofereça um substrato sólido em termos de conhecimentos e os meios de adequá-los à sua realidade produtiva; é preciso que sejam capazes de realizar uma ação estimuladora da curiosidade pela arte, da compreensão e do fazer artísticos nos estudantes.
As Artes não são elementos acessórios na Educação. São um componente curricular por direito próprio, que permitem aos estudantes a construção de sensibilidades e conhecimentos visuais, sonoros, gestuais etc., ampliando seu universo cognitivo.

O OBJETO DE ESTUDO E CONHECIMENTO DE ARTE É A PROPRIA ARTE
Ensinar e aprender Arte implica, nos PCN (1998: 49-50), articular três campos conceituais:
a)      o fazer: a criação/produção artística;
b)      o apreciar: a percepção/interpretação das obras de arte;
c)      o contextualizar: o conhecimento/reflexão em arte.
O primeiro refere-se ao fazer artístico como expressão e representação, que se realiza através da experimentação e da utilização das linguagens e materiais artísticos. O segundo insere-se no âmbito da recepção da arte, decodificando as diversas obras do universo artístico. O terceiro pode ser definido como a contextualização da arte, situando o conhecimento artístico, identificando as qualidades estéticas e culturais das produções e das manifestações artísticas, desvelando o mundo e percebendo a arte como campo perceptivo, cognitivo e sensível.As relações entre Arte e Educação. três formas de análise dessas relações:
a)uma análise de tipo disciplinar, que lida com o corpus de conhecimento da disciplina Artes;
b)uma análise histórica: que lida com os processos que levaram à configuração desse âmbito do conhecimento;
c) uma análise epistemológica: que realiza uma reflexão à luz das análises anteriores, relacionando-as com outras disciplinas e tipos de conhecimento.
As três formas de análise apresentadas são complementares, permitindo-nos uma abrangente do conhecimento disciplinar de Artes no currículo escolar.
O enfoque interdisciplinar é a base dos Parâmetros Curriculares.
Uma das mudanças fundamentais nos PCN é o próprio uso da nomenclatura Artes Visuais, em vez de Artes Plásticas.
Walter Benjamin, comentou a mudança qualitativa que a tecnologia moderna trouxe para a natureza e o status da Arte, especialmente através de sua reprodução mecânica na fotografia e nos filmes e além disso, da fotografia e do cinema como novas formas de Arte. Sua capacidade de ser infinitamente reproduzida altera fundamentalmente a tradição da arte e o significado de um original. Da produção em massa dos objetos culturais derivou-se a moderna divisão entre "alta cultura" e "cultura popular". Tradicionalmente, primeira devia ser estudada, apreciada ou imitada, a outra, desprezada e evitada. Benjamin considerou que, com a ascensão da fotografia no século XIX, tal divisão tornou-se insustentável, uma vez que com a dissipação do sentido de originalidade e de unicidade, diluiu-se, também, a capacidade de percepção e apreensão das infinitas sutilezas advindas da contemplação.
Vivemos, atualmente, na presença generalizada de imagens e mensagens, algumas com uma leitura artística potencial. E se as imagens e mensagens potencialmente artísticas estão cada vez mais presentes, a Estética, a História da Arte, a Crítica da Arte e os próprios artistas assumiram a preocupação de compreender, dentre outras coisas:
1.       como os seres humanos, na contemporaneidade recebem toda a informação
visual;
2.       como a processam, em função do que ou como a modificam, por que gostam mais de uma obra do que de outra;
3.       por que a mesma obra não é valorizada do mesmo jeito por pessoas
diferentes etc.
Com o aumento do público receptor de imagens – sejam ou não artísticas- houve um aumento do esforço de analise, compreensão e aplicação dessas imagens e mensagens.


2º Texto:
COMPETÊNCIAS, HABILIDADES E A LINGUAGEM DA ARTE

COMPETENCIAS E ATITUDES NA RELAÇÃO ENSINO-APRENDIZAGEM EM ARTES VISUAIS
Os Parâmetros Curriculares Nacionais destacam que nossas reações a obra de arte, as novas produções contemporâneas, a nossa imaginação são indicativos de que a Educação Artística deve incluir, em  suas preocupações,    certos    conteúdos   atitudinais,    visando    a   atingir   certas competências em Artes. Tais competências, como expressas nos PCN, são a percepção a conceitualização e a produção (PCN Artes, 1998, p.29).
Uma atitude não é adquirida por memorização, mas é interiorizada e assumida por um sujeito. Este fato incide diretamente na lide docente que pretende conseguir que as atitudes possam ser assumidas, transformadas individualmente e realizadas pelo sujeito. Essas atitudes próprias do âmbito artístico passam pelo conhecimento, pela observação, pela interpretação e, finalmente pela tomada de consciência dos diferentes processos implicados na Arte.
As linguagens artísticas são compostas pelos pensamentos e sentimentos, e são efetivadas no mundo por meio de instrumentos e técnicas apropriados para revelar um determinado resultado figural, ou imagem. Equivaleriam à organização das palavras pela gramática, no que concerne à expressão escrita e falada, que, por sua vez, também é precedida pelos pensamentos e, muitas vezes, pelos sentimentos.
A apreciação artística, que podemos chamar de contemplação, difere da leitura e da escuta, pois remete diretamente às intuições e representações mentais.
O ser humano confere às obras de arte o seu valor, os valores mudam em função do tempo e do lugar, e dos diferentes contextos culturais, atuando como base da identidade individual e coletiva, pois valores são compartilhados por grupos humanos nas sociedades e culturas.

As relações de ensino e aprendizagem de Arte não acontecem no vazio, mas sempre se ligam a determinado espaço cultural, tempo histórico e a condições particulares que envolvem aspectos sociais, ambientais, econômicos, culturais, etários. As relações entre arte e ensino-aprendizagem propiciam que o aluno seja capaz de situar o que conhece e de pensar sobre o que está fazendo a partir da experiência individual e compartilhada de aprender.
Os conteúdos gerais do ensino de Arte são:
a)  a arte como expressão e comunicação dos indivíduos;
b)   elementos básicos das linguagens artísticas, modos de
articulação formal, técnicas, materiais e procedimentos na
criação em arte;
c)  produtores de arte: vidas, épocas e produtos em conexões;
d) diversidade das formas de arte e concepções estéticas da cultura regional, nacional e internacional: produções e suas histórias;
e)a arte na sociedade, considerando os artistas, os pensadores
da arte,outros profissionais, as produções e suas formas de
documentação,preservação    e    divulgação    em    diferentes
culturas e momentos históricos(PCN Artes, 1998:52).
O modo de incentivar ou reprimir a criatividade é diferente em cada época e lugar, e deriva, por exemplo, da concepção que se tem do que é Arte e dos atributos que em geral se acredita serem necessários para denominar alguém artista. Alguns valores contemporâneos no ensino de Arte:
I)a busca pela originalidade e pela inovação;
II)respeito pelos processos criativos;
III)a perda do medo do erro e do equivoco;
IV)o desejo de experimentação;
V)o reconhecimento da alteridade da obra e a autocrítica construtiva.
Essas atitudes implicam o incentivo à criatividade e a tomada de consciência de suas dificuldades e da relevância dos processos artísticos para alem de seus resultados imediatos.

PERCEBER A ARTE OU “FALANDO AOS FUTUROS PROFESSORES”.
As regras que constituem as formas no imaginário não são as da razão social, são as regras da intuição, que absorve o mundo e o ordena formalmente no nosso interior, para que o expressemos em pequenos trechos, sob aquela mesma forma.
Este é um conhecimento intuitivo que é próprio a cada ser humano comum, e o artista dele se distingue apenas por conseguir conhecer e exprimir certas coisas simples com nitidez, vivacidade e complexidade maiores. Daí decorre a possibilidade de qualquer pessoa poder compreender a Arte, compreensão esta subjacente ao seu próprio gosto, que há de ser substancialmente semelhante ao gosto de quem a criou.
A capacidade para a apreensão estética não ganha por ter vivido muito tempo, ou por ter tido uma vida com grande variedade de experiências. Tudo depende da maneira como os acontecimentos foram vivenciados.
Nessa ação educacional considera-se que as pessoas, no caso, os alunos, estarão aprendendo arte à medida que forem capazes de perceber, agir efetivamente em arte e compreendê-la não apenas como
objeto, mas como campo de sentido e âmbito perceptivo, sensível e cognitivo. Eles poderão perceber, imaginar, recordar, compreender, aprender, fazer conexões e formar idéias, hipóteses ou teorias pessoais sobre seus trabalhos artísticos e de outros, assim como sobre o meio em geral, pois situam a arte nas culturas em diversos tempos da história e situações sociais e sabem perceber, distinguir e argumentar sobre qualidades (PCN Artes, 1998: 50).
É necessário que o docente amplie seus valores e seus esquemas interpretativos. E isso ocorre, em primeiro lugar, quando assumimos que são relativos e, a partir dessa ótica, que são mutáveis e subjetivos. Além disso, implica reconhecer que existem infinidades de valores, que cada criação artística tem seus próprios valores, e que não se deve pretender que tais valores sejam "universais" ou "eternos". Reiteramos que é preciso ver as obras pelo que elas são, e não de acordo com aquilo que acreditamos que devam ser, pois que, objetivamente, não o serão. Chamamos a atenção para o cuidado que se deve tomar com a palavra apropriação, que, muitas vezes leva professores a sugerirem aos seus alunos que copiem obras de arte.
A função da Arte como via de sensibilização da percepção e de conhecimento, como alargamento dos horizontes de compreensão estaria na abordagem estética, que tem muitas vertentes, desde a fenomenológica, à lingüística e à filosófica, no aprendizado técnico, cujo exercício proporciona a percepção de detalhes, na abordagem cultural, que traz a compreensão da situação do fruidor, na abordagem histórica, que o contextualizará no mundo em vive. É, então, necessário fornecer ao estudante elementos para que possa "ler" e interpretar uma imagem à sua maneira.
A Arte se relaciona com toda a cultura material e imaterial em geral, e que adquirir competências artísticas é algo que nos traz, além dos conhecimentos, o prazer e a fruição, objetivos prioritários na Educação contemporânea. Realmente, a fruição se incrementa com a predisposição e com a abertura ao novo, às possibilidades de determinado elemento artístico ou visual, a partir do abandono ou da redução de preconceitos e prejuízos, permitindo a adoção de novas atitudes em relação às obras e às formas de expressão humanas.



Resumo de Artes – Texto: NOÇÕES BÁSICAS DE ESTÉTICA E DE REPRESENTAÇÃO FORMAL: O DESENHO COMO DELIMITAÇÃO DA FORMA


Texto: NOÇÕES BÁSICAS DE ESTÉTICA E DE REPRESENTAÇÃO FORMAL: O DESENHO COMO DELIMITAÇÃO DA FORMA

O desenho como a apresentação no mundo de uma proposição mental, de um projeto imaginário, que o artista tem a intenção de comunicar ao mundo.
O desenho é a representação por linhas que organizam uma forma, estruturando linhas e áreas. É a expressão de uma leitura de mundo. Quanto mais bem observarmos e interpretarmos o mundo, quanto mais especificamente o definirmos mentalmente, desenvolvendo nossa percepção e nossas imagens mentais, mais bem o expressaremos e o reapresentaremos graficamente por meio de técnicas de delineamento.
 O desenho como qualquer outra forma artística, não retrata o que vemos, copiando da natureza o que podemos olhar e o transpondo para o papel, É a fixação, em um suporte, das nossas representações imaginárias, traduzidas em urna_ linguagem visual linear e expressas no mundo através de gestos que orientam instrumentos específicos, e não da fala.
Estas representações imaginárias não são construções mentais puramente imediatas (sem mediação), mas sim, cognições poéticas, mediadas por todo o nosso conhecimento prévio, e são livremente constituídas pelo processo da intuição artística. A intuição artística é a expressão mental de uma linguagem narrativa imagética e que podemos denominar de cognição poética.

LINGUAGEM, REPRESENTAÇÃO E INTUIÇÃO ARTÍSTICA
O processo que origina as abstrações que constituem o pensamento e sedimentam as intuições, é a linguagem, instância formativa do pensamento.
A arte é a linguagem das formas imagéticas. Para a constituição da linguagem é necessário que haja, antes de tudo, a relação entre o ser e a alteridade que origina a consciência, sem o que nada se transforma em linguagem.
O primeiro estágio do pensamento é a intuição de alteridade, em que o ser humano identifica a si mesmo como diferente do mundo, e observa o que há ao seu redor. Assim, cria imagens e palavras capazes de circunscrever e identificar o que vê, classificando a realidade como externa e diferente de si mesmo.
Assim como há infinitas formas objetos no mundo da materialidade concreta, há, também, infinitas formas de representações mentais, e que, em geral, agrupamos sob um nome, coisas bastante diferentes, generalizando-as em um só signo.
A linguagem e a comunicação humanas têm seu início no processo de discriminação e de nomeação das coisas existentes no mundo, à medida que se toma conhecimento delas e se as traz para a consciência por meio do raciocínio, para, então, as comunicar aos companheiros.
A razão humana está em constante movimento, observando, identificando e classificando as coisas em uma ordem sistemática. Depois de as nomear, classificar e compreender, o ser humano as interioriza e as transforma em elementos constituintes da sua intuição de mundo. Não basta, portanto, nomear uma coisa para expressar o que ela é.
Juntamos a sua forma e o seu conteúdo ao sentimento que a coisa nos desperta, e organizamos as suas características, tais como as suas dimensões, sua constituição, sua situação no lugar e no tempo, e o papel que desempenha para nós, e a interpretamos: criamos um símbolo.
O símbolo é elaborado a partir da combinação da imagem com o seu significado e é a maneira como a realidade habita a nossa imaginação. Os símbolos são sempre construídos em comum com os nossos companheiros. Um símbolo é uma construção social.
Para compartilhar esses símbolos uns com os outros, os seres humanos têm por hábito constituir narrativas comuns que tratam dos seres, dos fenômenos e da relação entre eles.
Embora as formas expressas sejam semelhantes, na instância da linguagem cada um interpreta uma história narrada de acordo com a sua imaginação particular - que é constituída pela suas experiências de vida, tanto as pessoais, quanto as coletivas - e uma boa maneira de se fazer compreender por um grande número de pessoas e de compartilhar um universo cognitivo comum é por meio das representações simbólicas, as formas que estruturam o conteúdo das narrativas expressas.
A forma é um conjunto de leis que estruturam mentalmente a abstração das idéias do nosso pensamento.
Se quisermos expressar um conteúdo, devemos tentar colocá-lo na melhor forma possível, e a melhor forma seria aquela que tem tão somente os elementos essenciais, ou seja, aquela em cuja apresentação excluímos o que podemos dispensar e que poderia fazer com que a idéia a ser expressa não ficasse clara, ou atrapalhasse sua compreensão.
As idéias complexas, ou seja, as que definem idéias com diversas imagens, sentimentos e ações praticadas no mundo, são definidas verbalmente com o uso de um conceito, uma palavra que sintetize a idéia. Os conceitos são, então, a redução das idéias, das ações, das intenções e dos fatos morais, os acontecimentos da vida e dos costumes, à sua forma fundamental. Desta redução surgem os conceitos gerais de beleza, de ética, de bom, de certo, abstraídos sucessivamente da interpretação de acontecimentos complexos e referentes à economia moral da vida em conjunto, à vida moral e instrumental, a serviço de algo com uma finalidade especifica. Assim, estabelecemos tanto as idéias de objetos materiais imediatamente submetidos à percepção, ao entendimento e à vontade de um sujeito, como também os conceitos reais e ideais.
Nós dividimos todos os objetos em reais e ideais. Os reais são aqueles que conhecemos por meio da experiência externa ou interna, ou que depreendemos dessas formas de experiência; e os ideais, também chamados de irreais, são aqueles que pensamos, que não nos vieram do mundo, mas através da geometrização da abstração do pensamento.
Nas representações artísticas, nós igualmente transformamos os sentimentos e as idéias que desejamos apresentar em elementos da geometria, que são os pontos, traços, planos e volumes, ou seja, os pressupostos lógicos da forma. Assim, podemos nos expressar de duas maneiras, pelo som e pela imagem.


O QUE E ARTE?
A Arte é sempre artifício, a apresentação das representações mentais no mundo da materialidade concreta, ou seja, é a forma que damos às nossas cognições poéticas e sob a qual a apresentamos ao mundo.
Arte é intuição ou visão, e contemplação, fantasia, figuração, representação.
Embora a percepção possa ser apreensão intuitiva, a intuição artística não é percepção. Percepção é este ato de apreensão de fatos ou eventos reais, é uma ordenação no sentido da cognição conceituai de caráter universal. Assim, a percepção, quando inaugural, é intuição pura, relativa ao sentimento estético, e em um segundo momento já poderá ter se tornado intelecção. Quando interrompido o estado contemplativo, e nosso pensamento passa à análise e à crítica do que foi contemplado, dividindo, organizando, comparando os elementos entre si, o que era a acomodação da percepção deixa de ser a vaga intuitiva e passa a ser concernente à lógica, ao concatenar o que foi
percebido no sentido de discernir entre realidade e irrealidade.
Na intuição artística é imprescindível a indistinção entre realidade e irrealidade, sem a qual estaria cerceada a expressão da intuição e a sua realização como fato artístico, e teríamos apenas uma Arte como forma de comunicação prática da materialidade concreta, ou pior ainda, uma forma de comunicação instrumental do mundo. Note-se que expressão é distinta de comunicação, e esta última concerne à fixação da intuição-expressão em um objeto material.
A Arte, porém, não é uma atividade prática que tem por finalidade única a obra a realizar, pois reside na representação contemplativa. Esta representação se associa posteriormente à capacidade comunicativa, que é uma capacidade técnica. A obra seria apenas um objeto no qual repousa a Arte, mas não é a única finalidade desta, pois a Arte não tem o sentido de finalidade. A obra acontece como decorrência natural, como ocorrem o gesto e
a palavra.
A obra de arte, e cada arte, é necessária, e consiste em expressar aquilo que não poderia ser expresso de outra forma. Por isso, os comentários literários em geral desorientam os artistas, pois a "facilidade" para transladar o conteúdo de uma obra para outro tipo de forma expressiva é quase um "atentado" contra a obra.
A arte não copia a natureza nem as coisas do mundo.



Resumo de Artes – Aula 24,25 e 30
Aula 24 - O que os olhos (não) vêem o coração (não) sente. Leituras de Arte (parte 2)
LUZ, SOMBRA, VOLUME
Denominamos claro-escuro o contraste produzido entre luz e sombra. Esse efeito é responsável por dar volume às pinturas. Através da técnica do sfumatto – que se iniciou na Renascença e teve como seu precursor Leonardo da Vinci, com o famoso quadro Monalisa ou La Gioconda –, os artistas conseguiam esse efeito de volume e de gradações de luz, o que foi um marco para a história da Arte. A técnica do sfumatto consiste em esfumaçar ou sombrear o entorno de uma imagem com uma tonalidade de cor mais escura do que a mesma possui. Dessa forma, a imagem é “empurrada” para a frente da tela, ganhando volume.

ESPAÇO
Quando aplicamos luz e sombra, surge volume e, conseqüentemente, profundidade.
A relação do espectador com o espaço a sua volta varia de acordo com a distância entre ele e um determinado objeto. As dimensões dos objetos se transformam à medida que nos aproximamos ou nos afastamos deles. Esses dados de dimensão e proporção são levados em consideração quando, por exemplo, um artista pinta um quadro.
Existem alguns efeitos que o artista pode dar à sua pintura para que se tenha uma melhor noção de espaço e distância. Um desses efeitos acontece em decorrência da utilização de cores mais intensas, no primeiro plano da pintura, e cores mais esfumaçadas em objetos mais distantes e ao fundo. Outra possibilidade consiste em dar maior detalhamento aos objetos mais próximos e menor aos mais distantes.

PERSPECTIVA
O estudo da perspectiva começou com os artistas renascentistas, no século XV, que procuraram bases científicas para suas obras. Através da perspectiva, eles conseguiam dar uma idéia precisa de profundidade em seus desenhos e, conseqüentemente, em suas pinturas.
A imagem em perspectiva nos dá a impressão de que objetos estão mais próximos ou distantes, semelhante às imagens tridimensionais que nossos olhos captam.

COMPOSIÇÃO
O artista parte de uma primeira idéia e, a partir dela, produz estudos, esboços, ajustando os vários elementos da melhor forma para atingir seu objetivo, seja ele dar harmonia à sua composição ou justamente o contrário, causar perturbação ao espectador. Este trabalho exige tempo, concentração e paciência, já que, muitas vezes, os estudos não agradam e têm de ser repetidos diversas vezes.
Assim, a união de linhas, luz, sombra, cores, perspectiva, dentre outros elementos, contribuirá para que o artista seja bem-sucedido ou não em sua composição e alcance o que almeja com sua obra.

Aula 25 - A imagem no ensino da Arte (parte 1)
AFINAL, O QUE É A LEITURA DE UMA IMAGEM?
A leitura de imagens consiste na observação e análise visual,auditiva, tátil, sensorial e/ou por meio de outros sentidos de uma obra de arte, com a posterior produção de uma análise descritiva.
As informações e os detalhes  que um  professor e/ou aluno conseguem explorar em uma composição artística,  por meio da observação da imagem, são subjetivas, e, portanto, o papel do professor consiste em respeitar a  leitura produzida pelos alunos. Além disso, o professor  deve se  preocupar em articular o saber artístico com a construção de uma proposta de ensino de Arte voltada à formação do cidadão, na qual se reconheça a Arte como produto do trabalho humano. Para isso, é fundamental que os alunos compreendam o conhecimento artístico-estético como expressão de uma generalidade humana, na qual a singularidade da forma e do conteúdo não tem um fim em si mesma, mas remete o leitor da imagem à complexidade social da qual ela faz parte.Assim, a imagem na sala de aula pode oferecer elementos de discussão que não se restringem a um aspecto ilustrativo ou à visualidade aparente.
A imagem pode criar horizontes interpretativos mais amplos, em qualquer idade escolar.
Ao professor do ensino de Arte está proposto o desafio de orientar seus alunos para uma  leitura contextualizada  de imagens e  de uma compreensão abrangente dos processos de produção e interpretação da Arte e cultura em nossa sociedade.
Espera-se que o profissional para o ensino de Arte compreenda o produto artístico a partir de seu processo de produção, sua contextualização histórica e sua relação de uso e recepção na sociedade. 
A produção artística é constituída de significados. No caso das artes visuais, o objeto artístico é a imagem. Esta, como  produto do trabalho humano, está relacionada à multiculturalidade e ao homem em lugares e tempos distintos. Para tanto, é importante oferecer aos alunos os fundamentos necessários para uma  leitura abrangente de mundo, na qual seja possível compreender o objeto artístico relacionado às questões apresentadas em cada momento histórico, em especial, àquelas de nosso próprio tempo e lugar (questões de gênero, etnia, economia, classe social etc.).
A contextualização é um pressuposto necessário à leitura crítica da imagem.
O contexto também passa por aquilo que o aluno vê: as informações que recebe em seu meio, o “olhar dirigido” que recebe na escola, as relações que estabelece entre as imagens, seu processo de produção e suas próprias vivências e o cruzamento de informações que  faz com outras imagens, outras vivências, outras culturas, outras faces da mesma realidade. Uma condição necessária à leitura crítica da imagem reside em desvelar as mediações que a constituem.
O caráter pedagógico da leitura da imagem em sala de aula reside em fazer rupturas com a imagem coisificada e de consumo, com a superficialidade e com a aparência,  levando
o aluno a se perceber em sua condição.
É importante buscar a origem da imagem, compreendendo-a como produto do trabalho humano, falando, por exemplo, da vida do artista. Além disso, outros pontos são importantes, como: localizar a obra no espaço e no tempo; identificar suas possíveis missões sociais; percebê-la como representação do artista inserido na sociedade e na trajetória da humanidade; identificar a obra como expressão de um mundo exterior e interior, do universal e do singular.
São necessárias investigações sobre o contexto da produção da obra, sobre a sua presença e distribuição na sociedade, bem como um conhecimento prévio do leitor – no caso, o aluno –, seu tempo, suas vivências e seus interesses.

Aula 30 - Do Impressionismo à fotografia e à arte contemporânea
O IMPRESSIONISMO
A  arte  precisou  se  transformar  e,  com  isso,  foram  surgindo movimentos artísticos que traziam outras reflexões e indagações acerca da vida e do mundo e, conseqüentemente, do modo de se entender e realizar  a  criação das obras  artísticas. O  Impressionismo  foi um dos movimentos que revolucionaram profundamente a pintura e deu início às grandes tendências da arte do século XX.
A proposta dos impressionistas era pintar ao ar livre. Em suas obras, as figuras não  têm contorno nítido; as  sombras  são  luminosas e coloridas, como a impressão visual que nos causam. Os artistas acreditavam que as cores e  tonalidades não deveriam ser obtidas misturando-se as  tintas na paleta do pintor; deviam, sim, ser puras e separadas nos quadros, cabendo ao espectador observar a pintura, combinando as cores e percebendo o resultado final.
Com o passar do tempo, dava-se mais atenção ao pensamento e menos à técnica.
Na década de 1960,  surgiu um movimento  chamado  arte  conceitual. Fortemente influenciada pelas idéias duchampianas, a arte conceitual considera a  idéia, o conceito por  trás da obra, sendo o mesmo superior ao  resultado final  (a obra pronta para  ser  exposta).

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