terça-feira, 20 de abril de 2010

ESTUDO DIRIGIDO PARA A AP1 DE EDUCAÇÃO E TRABALHO – 2° SEMESTRE DE 2010.

Aula 1: O trabalho como princípio educativo.
Inicialmente prevalecia o modo de produção comunal, o que hoje chamamos de "comunismo primitivo". Não havia classes. Tudo era feito em comum: os homens Produziam sua existência em comum e se educavam neste próprio processo. Lidando com a terra, lidando com a natureza, se relacionando uns com os outros, os homens se educavam e educavam as novas gerações. A medida em que ele se fixa na terra, que então era considerada o principal meio de produção, surge a propriedade privada. A apropriação privada da terra divide os homens em classes.
Aula 2: Sobre a concepção de politecnia.
O homem transforma a natureza ao mesmo tempo em que se relaciona com os outros homens. Essa é a base do currículo da escola elementar. O currículo da escola elementar envolve o conhecimento da natureza porque se o homem, para existir, tem de adaptar a natureza a si, é preciso conhecê-la.
A noção de politecnia se encaminha na direção da superação da dicotomia entre trabalho manual e trabalho intelectual, entre instrução profissional e instrução geral.
Divisão do trabalho, partindo da cooperação simples, que realiza a socialização do trabalho sobre a base da apropriação privada dos meios de produção. A partir desse processo, a divisão foi se aprofundando e o capitalismo foi introduzindo mecanismos especificamente capitalistas de produção que culminam com a introdução da maquinaria e o desenvolvimento da grande indústria.
Tal concepção também vai implicar a divisão entre os que concebem e controlam o processo de trabalho e aqueles que o
executam. O ensino profissional é destinado àqueles que devem executar, ao passo que o ensino científico-intelectual é destinado àqueles que devem conceber e controlar o processo. A noção de politecnia contrapõe-se a essa idéia, postulando que o processo de trabalho desenvolva, os aspectos manuais e intelectuais. Um pressuposto dessa concepção é que não existe trabalho manual puro e nem trabalho intelectual puro.
Politecnia, significaria múltiplas técnicas, multiplicidade de técnicas, e daí o risco de se entender esse conceito como a totalidade das diferentes técnicas fragmentadas, autonomamente consideradas.
Aula 3: Revisitando a concepção de politecnia.
Eis como a proposta de educação politécnica, enquanto uma concepção educativa voltada explicitamente para a superação
das divisões apontadas, resulta extremamente atual e pertinente no quadro das transformações que se processam na realidade em que vivemos.
Aula 4: O trabalho na perspectiva liberal: Ricardo/ A teoria do valor – Trabalho.
Freitas justifica que a mediação do ensino-aprendizagem pelo saber é própria da pedagogia burguesa que enfatiza mais o trabalho verbal do professor em substituição ao trabalho material. Isto porque numa sociedade de classes, as classes dominantes não se relacionam com o trabalho material, pois seus interesses estão na formação de dirigentes.
No plano político o grande marco foi a Revolução Francesa, que eliminou o absolutismo e a servidão ao mesmo tempo em que fazia do liberalismo uma “força política real”. No plano ideológico ocorre a separação entre Estado e Igreja dessacralizando a vida social e abrindo espaço para a emancipação das ciências da revelação e da Filosofia. O espírito da época caracterizava-se pela fé na ciência e no progresso.
Essa é a regra básica da economia: preços de mercadorias, lucros e salários estão relacionados e articulados de tal forma que o ganho de um é a perda do outro.
Ricardo superou Smith ao mostrar que o valor da mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho utilizado no processo de produção da mesma e não pela remuneração do trabalho como entendia aquele;
Ricardo vê o trabalho em função da mercadoria e essa em função do capital, ou seja, do lucro. A sua preocupação básica consiste em desvendar o valor da mercadoria a fim de legitimar e garantir o lucro.
A mercadoria tem valor porque contém uma determinada quantidade de trabalho.
Economia é uma ciência porque possui leis determinadas articulação entre quantidade de trabalho, salário, preço das mercadorias, taxa de lucros e impostos;
Porém, toda a ciência de Ricardo sobre a teoria “valor-trabalho” é feita na ótica liberal. Parte do pressuposto que tanto o trabalhador como o capitalista são o que são, por um processo “natural” de desenvolvimento das sociedades. A ciência é possível desde que cada classe social fique no seu lugar.
Aula 5: O trabalho em Marx / Considerações iniciais / A concretude do trabalho.
Ao investigar “o processo de trabalho” Marx está mostrando, como esse processo de trabalho é permanente, enquanto valor-de-uso, e como está se transformando historicamente desde a constituição do homem como ser natural/histórico que se produz nas diferentes sociedades.
O materialismo mecanicista, ao afirmar o objeto, negava a ação pensada e intencional do homem no próprio objeto. O idealismo, ao afirmar o lado ativo do homem, acabava por negar o objeto enquanto materialização da intencionalidade humana. Marx supera o materialismo mecanicista e o idealismo de forma dialética mediante uma nova compreensão do processo do trabalho. É pelo trabalho concreto que o pensar (intencionalidade/projeto) incorpora-se no objeto. O objeto, depois de trabalhado, não é um objeto qualquer ou objeto natural. Agora o objeto é humanizado, ou seja, no objeto está materializado o processo de trabalho como ação pensada para uma determinada finalidade.
No processo do trabalho, Marx distingue três componentes: “1) a atividade adequada a um fim, isto é, o próprio trabalho; 2) a matéria a que se aplica o trabalho, o objeto de trabalho; 3) os meios de trabalho, o instrumental de trabalho”.
O trabalho simples é como uma unidade básica –quantitativa/qualitativa – de trabalho que serve para medir/comparar às outras formas de trabalho. Assinala Marx que o trabalho simples não é o trabalho manual. Todo trabalho complexo é reduzido a trabalho simples enquanto referência de valor: “Por mais qualificado que seja o trabalho que gera a mercadoria, seu valor a equipara ao produto do trabalho simples e representa, por isso, uma determinada quantidade de trabalho simples”
Aula 6: As metamorfoses do trabalho concreto na sociedade capitalista / Trabalho concreto diante das máquinas.
No capitalismo, tudo se apresenta como mercadoria, inclusive a força de trabalho.
Na sociedade capitalista, diz Marx, o processo de trabalho enquanto força de trabalho é comprado e consumido pelo capitalista. A conseqüência imediata dessa relação é que “o trabalhador trabalha sob o controle do capitalista, a quem pertence o seu trabalho”, de forma que esse controle do trabalhador é estratégico para a produção de mercadorias na lógica do capital, uma vez que permite ao capital manter-se como “um monstro animado que começa a ‘trabalhar’, como se tivesse o diabo no corpo”.
A utilização da maquinaria pelo capital não visa aliviar ou não aliviar a labuta diária dos trabalhadores. O objetivo do capital, diz Marx, consiste em “baratear as mercadorias, encurtar a parte do dia de trabalho da qual precisa o trabalhador para si mesmo, para aplicar a outra parte que ele dá gratuitamente ao capitalista. A maquinaria é meio para produzir mais-valia”.
“A maquinaria, como instrumental que é, encurta o tempo de trabalho; facilita o trabalho; é uma vitória do homem sobre as forças naturais; aumenta a riqueza dos que realmente produzem”.
Verificamos que, em Marx, o trabalho perpassa toda a existência humana independentemente do modo de produção a que esta esteja vinculada, e que o processo de trabalho constitui-se no intercâmbio “natural e eterno” entre o homem e a natureza.
A abordagem marxiana sobre o trabalho supera a abordagem de Ricardo, pois ele ficou restrito ao trabalho enquanto potencializador de valor nas mercadorias, analisando-o em função das mercadorias na lógica da produção capitalista. Ricardo toma a sociedade capitalista como sendo natural, negando, assim, a historicidade das relações de trabalho. O trabalho, para esse autor, é uma atividade individual de um sujeito que se encontra já determinado na estrutura social. Ricardo não faz distinção entre trabalho, força de trabalho e trabalhador. Contudo, representa um avanço em relação à economia política, na medida em que coloca o trabalho – enquanto quantidade - como o determinante, em última instância, do valor de todas as mercadorias. Marx, entretanto, supera Ricardo ao ver o trabalho para além da esfera da sociedade capitalista. Marx funda uma nova ontologia do ser social. O homem é o próprio processo de trabalho realizado num coletivo que se constitui historicamente.
Aula 7: O trabalho sob o taylorismo / fordismo.
De fato, Taylor publicou em 1911 Os Princípios da Administração Científica que foi “um influente tratado que descrevia como a produtividade do trabalho podia ser radicalmente aumentada através da decomposição de cada processo de trabalho em movimentos componentes e da organização de tarefas de trabalho fragmentadas segundo padrões rigorosos de tempo e estudo do movimento”.
O trabalhador ideal era aquele que fosse quieto, econômico, ambicioso, ignorante, seguro, obediente, individualista e forte. Cada trabalhador era sabatinado individualmente para evitar qualquer consciência de interesse coletivo de classe.
No fordismo, o processo de trabalho é caracterizado por Harvey como a “realização de uma única tarefa pelo trabalhador, pagamento pro rata (baseado em critérios da definição do emprego), alto grau de especialização de tarefas, pouco ou nenhum treinamento no trabalho, organização vertical do trabalho, nenhuma experiência de aprendizagem, ênfase na redução da responsabilidade do trabalhador (disciplinamento da força de trabalho) e nenhuma segurança no trabalho”.Enfim, o fordismo se caracterizou pela produção em massa e homogênea. controle dos tempos e dos movimentos, pelo trabalho parcelar e fragmentado, pela separação entre execução e elaboração, pela produção concentrada e verticalizada e pelo trabalhador coletivo.
Aula 8: O trabalho no pós-fordismo.
O Toyotismo se diferencia do Taylorismo porque “em lugar de proceder através da destruição dos saberes operários complexos e da decomposição em gestos elementares, a via japonesa vai avançar pela desespecialização dos profissionais para transformá-los não em operários parcelares, mas em plurioperadores, em profissionais polivalentes, em ‘trabalhadores multifuncionais”. O que importa não é a especialização, mas um volume de conhecimentos básicos para operar várias máquinas ao mesmo tempo no ritmo de autonomação das próprias máquinas.
Por exemplo, diante da crise de superacumulação do capitalismo tecnológico, numa economia recessiva, a nova organização do trabalho – toyotismo – dá conta provisoriamente das necessidades do capital. Gounet (1999) assinala que, ao aumentar a produtividade em detrimento do crescimento da quantidade, o toyotismo tem como conseqüência imediata a redução de pessoal, o que significa a redução de consumidores, ou seja, a retração do consumo – desemprego/salários baixos – amplia a crise de superacumulação.
Aula 9: A classe trabalhadora no pós-fordismo: a não centralidade do trabalho?
Capital e trabalho - relações de produção claramente marcadas por interesses antagônicos e conflitantes ao mesmo tempo em que ambas as classes se complementam na dependência recíproca.
Antunes mostra que a sociedade informática continua sendo uma “sociedade produtora de mercadorias”. O trabalho abstrato ocupa um “papel decisivo na criação de valores de troca”. Significa dizer que a sociedade é regida pela lógica do mercado que implica na produção e no consumo de mercadorias, sem os quais a mais-valia não se realizaria.
O trabalho concreto é cada vez mais subsumido à lógica do trabalho abstrato. A crescente imbricação entre ciência e trabalho, alterou consideravelmente o trabalho abstrato. Esta alteração resultou no chamado trabalho flexível, que pode ser caracterizado como aquele trabalho desregulamentado que se ajusta à produção flexível da fábrica mínima e também flexível.
“Paralelamente à redução quantitativa do operário industrial tradicional dá-se uma alteração qualitativa na forma de ser do trabalho, que de um lado impulsiona para uma maior qualificação do trabalho e, de outro, para uma maior desqualificação”.
Aula 10: As desigualdades ampliadas e as alternativas em construção.
As condições do capitalismo são desastrosas sob múltiplos aspectos. A riqueza da produção social é apropriada por grupos restritos, os inventos e as obras são fruídos por poucos privilegiados, o trabalho humano é explorado sob o princípio da fungibilidade dos operários, e a exploração da natureza é predatória.
Três idéias básicas: a) o capitalismo desenvolveu- se ao longo do século XX, impulsionado por uma lógica diferente da atual e cujo resultado foi a inclusão social ampliada. b)a partir dos anos 80, na medida em que foi orientado pelos princípios neoliberais, ele segue um caminho que é socialmente desastroso – ampliando a exclusão e as desigualdades –, e que esse desastre pode ter grandes proporções. c) nada do que está acontecendo hoje é irreversível e, sobretudo, que o modelo dominante, apesar da sua força, disputa legitimidade na organização econômica e societária com, no mínimo, quatro outros projetos.
O segundo modelo de expansão do capitalismo inicia-se logo após a primeira guerra. Suas principais características podem ser sintetizadas nos seguintes elementos: a) crescimento da presença do Estado. b) correlação de forças mais favorável aos trabalhadores c) desenvolvimento de técnicas gerenciais e administrativas pelo empresariado para contrapor- se ao crescimento do poder operário.
Novo paradigma tecnológico com suas múltiplas conseqüências: a) Reestruturação Produtiva b) Globalização c) Reformas do Estado de Bem-Estar, que correspondem à redução dos direitos previdenciários e dos mecanismos de proteção social,
1. O “capitalismo bonzinho”: recuperação da legitimidade capitalista, de uma eficiente estratégia que mobiliza o que tem o espírito humano de mais nobre: a solidariedade, termo atual para o ideal revolucionário de 1789, então chamado de fraternidade universalista.
2. A “terceira via”.tentativas bem-comportadas de neutralizar os efeitos mais perversos da economia de mercado sem, contudo, modificar os mecanismos essenciais do capitalismo.
3. A construção das alternativas e a Economia Solidária. Múltiplas designações: socioeconomia solidária, economia do trabalho, novo cooperativismo, empreendimentos econômicos solidários e, ainda, empreendimentos autogestionários que, por sua vez, remetem para um conjunto de conceitos estranhos à economia convencional.
Problemas precisam ser enfrentados, para que a construção de uma verdadeira alternativa seja possível. a) A necessidade de a Economia Solidária. b) A necessidade de organizar formas produtivas, social e economicamente, avançadas. c) A necessidade de, internamente, na sua organização real em termos de processo de trabalho, de relações sociais de produção, ser também nitidamente superior à organização capitalista.

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