quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

RESUMO DE ALFABETIZAÇÃO

RESUMO DE ALFABETIZAÇÃO

AULA 1 - livro didático
CONCEPÇÕES DE ALFABETIZAÇÃO:

A ORIGEM DO MITO

Concepções de alfabetização

Por volta do século XVI, pensadores humanistas acreditam que a educação transformaria o homem e o próprio teria controle de seu destino. Na idade média a educação foi privilégio dos nobres, eles tinham que confiar nos padres que eram os mestres. A produção cultural era controlada pela igreja, e era restrito. Alguns clássicos foram proibidos, ex: obras dos maiores clássicos de literatura. Todos deveriam ter acesso naquela época, no entanto, os interesses que envolviam o acesso do conhecimento e educação determinavam, o que podia ou não ser apreendido ou conhecido.
A chegada da revolução francesa trouxe idéias de república democrática, foi onde a escolarização teve via de acesso à cultura, a escola se torna universal e gratuita; e
Sobre o controle do Estado, uma escola para todos. A alfabetização surge como condição para inclusão do indivíduo no modelo de sociedade que se estruturava, o domínio da leitura, da escrita ganhou status de promoção social, pois o acesso ao conhecimento específico significava saber mais, poder mais do que aqueles limitados ao trabalho manual, culturalmente desprestigiado.

AULA 2 E 3
ALFABETIZAÇÃO
Ação educativa

É a pessoa que não tem habilidade de leitura e escrita, e nem cálculos para desempenhar seu desenvolvimento pessoal e profissional, é considerada analfabeta funcional. Segundo pesquisa do INAF do país, revela as condições de alfabetizo da população que majoritariamente, integra força de trabalho do país, e é formada por consumidores, editores e chefes de família, focando nessa população, a pesquisa visa à habilidade básica para a população viver melhor em uma sociedade letrada, para que possam ser exercidos com autonomia os seus direitos e responsabilidades.
O alfabetizo se divide em quatro níveis:
·          ANALFABETISMO: são considerados às pessoas que sem condições de realizar tarefas simples, que envolvam leitura de palavras, frases, ainda que uma parte datas consiga ler números familiares (exemplo: número de telefone, preços, etc.).
·          ALFABETISMO NÍVEL RUDIMENTAR: aquele que já consegue localizar uma informação explícita em textos curtos e familiares. (como anúncio ou pequena carta), ler e escrever números usuais e operações simples, manusear dinheiro para pagamento de pequenas quantias etc.
·          ALFABETISMO DE NÍVEL BÁSICO: são pessoas funcionalmente alfabetizadas, elas já lêem, compreendem textos de média extensão, localizam informações, lêem números na casa dos milhões etc.
·          ALFABETISMO NÍVEL PLENO: pessoas cujas habilidades não impõem mais restrições, para compreender, e interpretar textos. A escolarização brasileira teve um crescimento rápido, na educação de jovens e adultos.
Com a universalização do acesso e estimulo à permanência na escola, o atendimento se universalizou, o ensino médio se ampliou nas ultimas décadas, vem crescendo o acesso ao ensino superior, graças a programas de financiamento educativo e programas de educação de jovens e adultos. O resultado do INAF mostra que houve melhoria das capacidades de alfabetizo da população brasileira, embora seja preciso investir muito na qualidade de educação para que a escolarização garanta as aprendizagens necessárias a uma inserção autônoma e responsável na sociedade.
Um fator determinante na distribuição do alfabetizo, é a renda familiar, as pessoas com níveis de renda maior, tiveram acesso a maiores níveis de escolarização, maior oportunidade de acesso à informação e a cultura, acesso as melhores escolas particulares de melhor qualidade, e também nas escolas públicas encontradas nos melhores bairros. O INAF nos mostra os resultados da educação escolar, e continua fornecendo uma abrangente visão dos problemas, nos permite ver como agem de forma integrada a expansão das oportunidades educacionais e a piora/ melhora da qualidade de ensino, ele nos mostra que pouco nos adianta uma escola de excelência que atenda a minoria; uma nova qualidade de ensino precisa ser construída para dar continuidade nos estudos, trabalho e do exercício da cidadania.

AULA 4 E 5
ALFABETIZAÇÃO
ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO.

O ENSINO E A APRENDIZAGEM DA LINGUAGEM ESCRITA
EM CLASSES DO PRIMEIRO ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

O ensino fundamental, o único nível de ensino de matrícula obrigatória no país, sua duração de oito anos foi ampliada para nove anos, essa etapa da educação básica, trouxe um novo número de criança, embora alguns de seis anos freqüentassem instituições pire escolares. Com a incorporação desse segmento no ensino fundamental veio novos  desafios, principalmente pedagógicos.
Para a área de educação é preciso descobrir uma prática educativa, que trabalhe a criança como eixo do processo e leve em conta as dimensões de sua formação. É fundamental, que a ação educativa se baseie em uma orientação teórico metodológica, que definam objetivos de ensino, organização e trabalho pedagógico, o tipo de abordagem que se quer dar ao conhecimento, que considere a realidade sócio cultural dos alunos e o contexto escolar. As crianças precisam participar de um conjunto de atividades caracterizado por um ciclo de ações e procedimentos de ensino aprendizagem,uma proposta de ensino, adequada, ela deverá ser validada e reconstruída a partir do conhecimento que se tem das crianças, e também das interações que se estabelecem entre o grupo escolar, para se tornar referencial e se materializar.
A avaliação diagnóstica é um procedimento de ensino a ser adotado, seu objetivo é estabelecer relação entre a proposta de ensino, perfil pedagógico da turma, as necessidades de aprendizagem de cada aluno. Letramento é o exercício efetivo de ler e escrever para informar, interagir, para ampliar conhecimento,é a capacidade de interpretar e produzir diferentes textos, de inserir-se efetivamente no mundo da escrita.
O conceito de alfabetização e letramento destacam duas dimensões importantes da aprendizagem: Capacidade de ler e escrever. A apropriação da língua escrita: aprender ler e escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar em língua escrita, e decodificar a língua escrita.

ELEMENTOS PARA CONSTRUÇÃO DE UMA PROPOSTA PEDAGÓGICA

Existem várias formas de aproximar a criança da cultura letrada, as crianças se envolvem com entusiasmo, exploram diferentes materiais de leitura, manusear livros, jornais e revistas, ouvir leituras dos contos, poemas, crônicas, brincadeiras, nosquais leitura e escritas são objetos centrais, além desse contato com materiais escrito, é importante que a ação pedagógica promova a participação das crianças em práticas de leitura,na sua rotina de sala de aula, eles precisam interagir com esse objeto do conhecimento. A leitura em voz alta pelos professores é um momento em que se pratica a leitura com participação dos alunos, essa leitura desperta o desejo e curiosidade das crianças, isso pode despertar o desejo de ser leitor. O professor tem várias estratégias a ser trabalhada, mas qualquer que seja a estratégia do professor às crianças que:
·          Reescrevam o texto com palavras mais simples para expressar seu conteúdo;
·          Marquem partes dos textos lidos de acordo com a informação requerida ou com objetivo da leitura;
·          Grifem palavras de acordo com o que se quer ressaltar;
·          Façam resumos do que está escrito;
·          Façam anotações sobre o texto;
·          Realizem leituras individuais ou em duplas( um aluno que já se apropriou do funcionamento do sistema de escrita pode ler para outro que ainda não faz);
·          Realizem leituras teatralizadas de textos ou de trechos de textos;
·          Realizem leituras com pausas planejadas e contextualizadas, com perguntas que orientem a interpretação das crianças;
·          Realizem leituras seguidas de conversas orientadas por questões previamente planejadas pela professora;
·          Produzam textos em pequenos grupos ou em duplas (também se podem agrupar as crianças de forma que aquelas que já são capazes de ler e escrever se façam de escribas do grupo);
·          Produzam textos com apoio de roteiros definidos pelo coletivo.

Outras atividades que ampliam e enriquecem o trabalho com o conteúdo dos leitores, que são planejados como ampliação dos momentos de leitura, atividades que envolvem, entre várias possibilidades, apresentação de peças teatrais, leitura de livros. Os significados e sentidos produzidos quando usamos a língua oral e escrita, e o plano das expressão (dos sons), que diz respeito às formas lingüísticas.
A compreensão da natureza alfabética do sistema de escrita e desenvolvimento da consciência fonológica integram esse processo e são impulsionados por aprendizagens que promovem a competência simbólica das crianças. Na evolução psicogenética, identificam-se três períodos.  


Aula 6 – livro didático
Alfabetização 1
Cultura e linguagem:
A questão da oralidade

Um povo letrado não é um povo ignorante.
A oralidade e a cultura, tem um importante papel na produção de conhecimentos, pois ver a cultura oral como forma “ mais atrasada”de transmissão de conhecimentos e valores é desconsiderar o fato que a maioria dos conhecimentos que usamos no dia a dia nos foi transmitida oralmente de forma narrativas, conversas, conselhos, metáforas e parábolas. Considerar analfabetismo como sinônimo de “ignorância” é uma produção ideológica que reconhece apenas a cultura escrita como legítima de saber e desvalorizar a cultura oral tratando-a como uma subcultura.

A narrativa como forma de conhecimento

A narrativa é um instrumento de produção e socialização do saber. Na antiguidade homens se reunião em roda para ouvir e contar histórias, a humanidade foi compartilhando saberes, planejando conquistas, avaliando derrotas; a roda, o círculo é o movimento que induz e conduz a produção do conhecimento; aquele que se registra,  elabora, se alicerça, se amplia e  se constrói.
Na antiguidade o conhecimento é transmitido oralmente, cultivado e amplamente praticado. O conhecimento era transmitido de geração para geração, através de histórias e mitos; o ensino também era realizado pela transmissão oral do conhecimento, diálogo entre mestre e aprendiz posteriormente registrados por escrito, sendo reconhecida e valorizada a cultura oral e uma postura política pedagógica essencial na construção de uma prática alfabetizadora emancipatória, que conhece e respeita a variedade lingüística do aluno e conhecimento intuitivo, prático que ele possui (produzido oralmente), aceita a língua que ele fala, valoriza sua história, respeita sua identidade e reconhece seus diferentes modos de aprender e produzir conhecimento.


AULA 7 LIVRO DIDÁTICO
CULTURA E LINGUAGEM

A QUESTÃO DA ORALIDADE

A alfabetização não pode ser tratada apenas os aspectos teóricos e metodológicos. A alfabetização é a prática social, multidimensional e como tal deve ser abordada em suas dimensões históricas políticas, sociocultural, antropológica, psicológica, lingüística e pedagógica.
·          A perspectiva sociocultural - torna a leitura e a escrita como práticas sociais e bens culturais e busca compreender o valor simbólico da escrita nos diferentes contextos sociais.
·          A perspectiva pedagógica – investiga os processos metodológicos e os procedimentos didáticos de ensino aprendizagem.
·          A perspectiva antropológica – prioriza os processos de autonomização, subjetivação e reflexidade e volta-se para as diferenças nas culturas de comunicação e processo cognitivos, entre culturas orais e letradas, para redes de comunicação orais, e para uso e funções da escrita em diferentes grupos sociais e culturais da escrita e processos de acumulação, difusão, circulação e distribuição da escrita nos diferentes momentos históricos, livros, imprensa, informática, bibliotecas, história da leitura, e dos leitores, na história da alfabetização, no ensino na aprendizagem da leitura e escrita.
·           A perspectiva psicológica – investiga os processos cognitivos de aprendizagem da língua escrita e as diferenças entre as estruturas de pensamento de indivíduos alfabetizados e não alfabetizados
·          A perspectiva política – processo de conscientização, que possibilita uma reflexão critica sobre sua própria capacidade de refletir, sobre sua posição no mundo, sobre o próprio mundo.
As metodologias, tradicionais da alfabetização de base associonista, reduz a alfabitização aos aspectos de codificação e decodificação, e entende a aprendizagem da escrita como transição da fala em sinais gráficos. Na abordagem associonista aprender a ler e escrever é dominar a técnica de codificação e decodificação.Construir significados e atribuir sentidos ao que se lê e escreve é fundamental ao processo de apropriação da leitura e escrita. Para o processo de alfabetização dos alunos das classes populares, o preconceito lingüístico trás conseqüências extremamente negativas, contribuindo significativamente para a produção do fracasso escolar.

AULA 10 LIVRO DIDÁTICO
CONCEPÇÕES EPISTEMOLÓGICAS DA ALFABETIZAÇÃO: a perspectiva mecanicista.
ALFABETIZAÇÃO: UMA PERSPECTIVA MECANICISTA

A concepção mecanicista de alfabetização é fundamentada na idéia de homogeneização de padronização.

A ideologia subjacente à concepção de alfabetização mecanicista é a mesma que conduz a ciência como verdade absoluta, que a reduz a diferença à igualdade, à padronização. Os interesses dominantes recaem sobre a educação, para que ela seja vista como campo de aplicação de teorias pré – concebida, valorizando o saber cientifico e esteja a serviço da manutenção das relações do poder.
O principal interesse no Brasil, nas definições políticas, públicas para a educação era investir em métodos, pois com um bom método, todos aprendiam sem dificuldade, garantindo sucesso dos alunos na aprendizagem do processo de leitura e escrita, fortalecendo a democracia e o crescimento econômico.
A abordagem analítica propõe o processo de aprendizagem seja  disparado pelo reconhecimento global da palavra chave ou de frases.Nessa abordagem, o sentido das palavras é constituído inteiramente pelo aluno,  na tentativa de construção de um texto .
No Brasil os adptos do método sintético não adotaram a abordagem analítica permaneceu utilizando o percurso da sopa de letrinhas, que misturado renderiam boas receitas, na década de 1940, observou-se a tendência a misturar as duas abordagens. Alguns educadores chamaram de método eclético ou misto. O importante era seguir rigorosamente o que estava escrito, o professor seguiu tudo certinho como consta no manual, saindo algo errado, a culpa nunca será do método, a avaliação recai sobre os fatores externos, preferencialmente no aluno.    


 Resumo Alfabetização
·         Aula 11 – concepções epistemológicas da alfabetização (Mecanicista)
Os métodos de alfabetização atendia a possibilidade do poder político saber e controlar o que era feito em sala de aula, as políticas públicas incentivavam o uso de cartilhas e ofereciam cursos de diferentes métodos para serem utilizados nas escolas.
- Método Alfabético: Na abordagem sintética (partindo do mais simples da língua, para os mais complexos), o professor ensinava primeiro o nome das letras na sequencia alfabética, então as letras eram combinadas duas a duas e deviam ser pronunciadas de acordo com sua forma gráfica. Ou seja, a soletração era a peça fundamental para o ensino da língua, seguida, pelo ensino da escrita, enfatizando a caligrafia< ensino focado na repetição, fixação e memorização das letras.
- Método Silábico: Tinha a sílaba como unidade inicial, sendo apresentadas às crianças em uma ordem estabelecida, possibilitando o maior possível de combinações entre elas, tendo como finalidade a formação de novas palavras, e posteriormente, frases.
·         Aula 12 – Continuação concepções epistemológicas da alfabetização (Mecanicista).
- Método Fônico ou Fonético: Também dentro de uma abordagem sintética, insiste na importância da forte repetição até que o aluno estabeleça, por completo, esta associação, memorize e a pronuncie automaticamente.
- Método da abelhinha: com base fonética, este método apresenta uma série de histórias cujos personagens estão associados a letras e sons. Uma das exigências deste método é de “ não dizer o nome das letras nem fazer a união dos fonemas com todas as vogais”. Ele associa o personagem, a forma da letra e o som da letra.
- Método Casinha Feliz: Usa a sentenciação (ensino por meio de frases ou sentenças), aposta em elementos lúdicos, como o teatro de fantoches, transformando as vogais em personagens privilegiados que ao se encostarem nas consoantes, se materializam  formando uma palavra monossílabo, sendo assim um método fônico.
- Método da Palavração: Fundamentado na abordagem analítica (complexo para o simples), o início do processo de alfabetização deveria partir da palavra como menor unidade significativa. As palavras são apresentadas em agrupamentos e os alunos aprendem a reconhece-las pelo método da visualização. Cartões com palavras-chave são colocados nos murais para a visualização e, consequentemente, para o reconhecimento das palavras, que geralmente são retiradas  de uma história contada para a turma. A confecção de livros de rótulos, com rótulos retirados e recortados de diferentes embalagens, colados e identificados com seus nomes e utilidades podem ser muito úteis para auxiliar esse tipo de visualização.
·         Aula 13 e 14: O construtivismo no ensino fundamental, um caso de desconstrução.
Nos anos 20 e 40 do século XX, dissemina-se o movimento escolanovista e com ele a influência da Psicologia Funcionalista sobre métodos de ensino e a ênfase na atividade e no interesse do aluno. Nos anos 50 e 60, o tecnicismo (sob influência do behaviorismo) defende a idéia de que o ensino deve ser objetivo, operacionalizado e regido por princípios de racionalidade, eficiência e produtividade. Nos anos 70 o construtivismo de Piaget e a abordagem sócio-histórica de Vigotski: O construtivismo piagetiano é uma teoria que trata do conhecimento. Piaget buscou no estudo da criança – na Psicologia – a gênese dos conhecimentos. Distinguiu o desenvolvimento psicológico ou espontâneo da inteligência – relativo especialmente as estruturas logico-matemáticas e que ocorre sem necessidade de intervenção deliberada – e o desenvolvimento psicossocial – aquele decorrente da educação familiar ou escolar, por exemplo, que requer intervenção para que aconteça.
Piaget considera o desenvolvimento intelectual espontâneo como um processo de organização e reorganização estrutural, de natureza sequencial e ocorrendo em estádios relativamente independentes de idades cronológicas fixas. Além dos fatores clássicos explicativos do  desenvolvimento (fator biológico e o ambiental), Piaget propõe a equilibração como o principal mecanismo responsável pelo desenvolvimento cognitivo, definindo-a como um processo em que o sujeito reage ativamente ás perturbações que o ambiente oferece, compensando-as de modo a anulá-las de alguma forma.
Com base no estudo de Piaget, todo ser vivo tende a adaptar-se ao ambiente, mediante os processos de assimilação (incorporação aos esquemas/estruturas das propriedades presentes no ambiente) e acomodação (modificação de esquemas/estruturas) para ajustá-los ás exigências ambientais.
Essas formas de organização distinguem os vários períodos de desenvolvimento intelectual, com suas subdivisões, propostos por Piaget: Estágios Sensório-motor, Pré-Operacional, Operacional concreto e Operacional Formal.
Uma visão errada do construtivismo é a que leva a bagunça, que se devem usar objetos materiais, aproveitar o cotidiano do aluno e não impor tarefas, que o conhecimento é inato e a inteligência é hereditária e, portanto, imutável.
Desconstruções do construtivismo:
- Não se deve corrigir o erro do aluno (ao invés de dar uma tarefa às crianças para medir quão bem fazem o quão mal erram, pode-se dar uma tarefa às crianças e observar quanta ajuda e de tipo necessitam para completar a tarefa a contento).
- Ser construtivista é colocar os alunos para trabalhar em grupo (o trabalho em grupo, sem nenhum tipo de orientação, acaba sendo utilizado simplesmente como um modo de exigência da Secretaria de Educação. Piaget sempre valorizou o trabalho em equipe como uma forma de garantir a troca de idéias, a discussão e o exercício da cooperação).
- o construtivismo condena o uso da cartilha (seus divulgadores tendiam a condenar o uso da cartilha no período de alfabetização, questionando a natureza dos textos que eram apresentados nesse tipo de material. As cartilhas, assim como os livros didáticos em geral, são frequentemente criticados por serem materiais que enfatizam a memorização e por serem instrumentos frequentes no ensino tradicional. Cabe, então a busca e a produção de materiais que ofereçam apoio às atividades de ensino, de forma a superar o verbalismo e a repetição sem sentido).
- O papel do professor é o de facilitador  da aprendizagem. Ele não deve interferir, mas deixar a criança descobrir sozinha ( o que Piaget condena, portanto, é o excesso de verbalismo na transmissão dos conteúdos escolares. O aluno também pode aprender a pesquisar para  chegar a inventar e reinventar. O problema é quando se deixa tudo muito “mastigado” para o aluno, não permitindo que ele possa usar suas estruras para elaborar novos conhecimentos. A vida coletiva, com as interações e trocas entre os sujeitos, oferece condições para tomar o pensamento).
- O professor construtivista trabalha o que o aluno traz de casa (A escola não precisa desprezar os conhecimentos cotidianos trazidos pelo aluno, mas deve considera-los como pontos de partida, levando o aluno a mudar suas idéias no sentido de aproximá-las  da os idéias cientificas. Pensamos que a situação escolar deve funcionar como ocasião de ruptura com o cotidiano. O professor pode partir da experiência ou conhecimento prévio do aluno, as visando superá-los. O perigo deste slogan é que ele pode levar a um esvaziamento dos conteúdos escolares á medida que se centra no conhecimento cotidiano).
- o que importa é desenvolver o raciocínio, o conteúdo é secundário (Dizer que se deve desenvolver o raciocínio significa que os sujeitos devem ter condições de chegar ao raciocínio formal, característico do estádio em que somo capazes de realizar operações sobre operações, formular hipóteses, trabalhar com abstrações. O papel do professor é de dar condições a esse desenvolvimento cognitivo, que é interno ao sujeito).
- O construtivismo condena o ensino da gramática ( Há uma distorção pois não exigir de imediato a correção ortográfica, no início da alfabetização, não é a mesma coisa que não corrigir o aluno. Sugere-se então que os professores valorizem o texto escrito e diversifiquem as oportunidades de produções infantis. Mas a interpretação equivocada leva os professores a deixarem os erros gramaticais de lado para aceitar o que as crianças escrevem.)
- O aluno só aprende com a própria atividade e deve ser deixado livre para agir (um ambiente calmo e organizado na sala de aula favorece a reflexão e dá condições para o aprendizado, no construtivismo, a liberdade se refere á oportunidade de participação ativa do aluno dentro da organização proposta para a aula. O equívoco que o slogan sugere aos professores é o de que se deve promover atividades que ocorram no concreto material, usando figuras, recortes, atividades com massinha, letras de jornal, entre outras.
Ou seja, pra o professor como profissional, é imprescindível manter a dignidade do seu papel como agente que interfere na situação educativa, transmitindo às novas gerações os conteúdos culturalmente valiosos que permitirão aos alunos compreender, interpretar e transformar o mundo em que vivem.
·         Aula 15: Concepções epistemológicas da alfabetização na perspectiva construtivista
Quanto ao desenvolvimento do pensamento da criança na aprendizagem da escrita, Emília Ferreiro apresenta cinco níveis:
-Pré-silábico: Por volta dos dois anos de idade, é comum a criança gastar um bom tempo desenhando e, perceber que alguns traços podem representar ou significar alguma coisa. Ela mistura as letras que conhece para escrever qualquer coisa, a criança espera que a escrita dos nomes das pessoas e dos objetos sejam correspondentes á sua idade e ao seu tamanho.
-Nível intermediário I: a criança busca a correspondência entre a letra e seu valor sonoro.
-Nível silábico: aceitação das palavras com uma ou duas letras, possibilidade de convivência com a hipótese de quantidade mínima de letras, falta de definição das categorias linguísticas, sonorização ou fonetização da escrita.
- Intermediário II ou Silábico-alfabético: o valor sonoro ganha relevância, e a criança passa a acrescentar outras letras às palavras, principalmente ao inicia-las.
-Alfabética: A escrita infantil é reveladora de duas características – a primeira, que a criança já se apropriou do conhecimento da correspondência grafofonêmica; e a segunda, que ela já reconhece valores sonoros menores do que a sílaba. Sua escrita fonética e, portanto, há dificuldades a serem superadas na direção de uma escrita ortográfica. Há compreensão da lógica da base alfabética da escrita, conhecimento da correspondência grafofonêmica, reconhecimento do fonema como unidade mínima e capacidade de distinguir letra, palavra e frase.
·         Aula 16: Abordagens teórico-metodológicas da alfabetização: Práticas alfabetizadoras construtivistas.
-A escrita não é simplesmente um código de transcrição gráfica das unidades sonoras, mas uma linguagem  que promove interação entre os sujeitos, por meio de representações simbólicas. Para entender o funcionamento da linguagem escrita, é preciso que esta seja vista no local em que suas propriedades se põem em evidência: Nos textos.
- A criança aprende a falar falando. Seu desempenho oral evolui na medida em que interage em situações comunicativas reais e significativas. Do mesmo modo acontece com a escrita. A criança aprende a ler lendo e a escrever escrevendo. Cabe à escola criar contextos significativos de uso da escrita.
- A preocupação com a inclusão de um ambiente alfabetizador trouxe para a cena novos materiais pedagógicos e procedimentos didáticos distintos das antigas propostas como: Estímulo e valorização da escrita espontânea; no lugar de textos artificiais encontrados nas cartilhas privilegiam-se, como material de leitura os textos que circulam na vida social, a lista de palavras do mesmo campo semântico, a leitura de crachá, propagandas, bilhetes, rótulos, quadrinhas, parlendas, etc.
·         Aula 17 e 18: Letramento e alfabetização: As muitas facetas.
Os dois problemas são: O domínio precário de competências de leitura e de escrita necessárias para a participação em práticas sociais letradas e as dificuldades no processo de aprendizagem do sistema de escrita, ou da tecnologia da escrita – são tratados de forma independente, o que revela o reconhecimento de suas especificidades e uma relação de não-causalidade entre eles.
No Brasil a discussão do letramento surge sempre enraizada no conceito de alfabetização, o que tem levado, apesar da diferenciação sempre proposta na produção acadêmica, a uma inadequada e inconveniente fusão dos dois processos, com prevalência do conceito de letramento, por razões que tem conduzido a um certo apagamento da alfabetização que, talvez com algum exagero, denomino desinvenção da alfabetização (perda da especificidade do processo de alfabetização que parece vir ocorrendo na escola brasileira ao longo das duas últimas décadas).
Esta mudança representou, para a área da alfabetização, a perspectiva psicogenética: alterou profundamente a concepção do processo de construção da representação da língua escrita, pela criança, que deixa de ser considerada como dependente de estímulos externos para aprender o sistema de escrita – concepção presente nos métodos de alfabetização até então em uso, hoje designados “tradicionais” e passa a sujeito ativo capaz de progressivamente reconstruir esse sistema de representação, interagindo com a língua escrita em seus usos e práticas sociais, isto é, interagindo com o “material para ler”, não com material artificialmente produzido para “aprender a ler”, os chamados pré-requisitos para a aprendizagem da escrita.
A alfabetização, como processo de aquisição do sistema convencional de uma escrita alfabética e ortográfica, foi, assim, de certa forma obscurecida pelo letramento, porque este acabou por frequentemente prevalecer sobre aquela, que como consequência, perde sua especificidade.
Na reinvenção da alfabetização, reconhecemos que o conhecimento do código grafofônico e o domínio dos processos de codificação e decodificação constituem etapa fundamental e indispensável para o acesso a língua escrita.
Identifica-se um paralelo com o que ocorreu no Brasil, aproximadamente na mesma época, quando o debate que até então se fazia em torno da oposição entre métodos sintéticos (fônico, silabação) e métodos analíticos (palavração, sentenciação, global) foi suplantado pela introdução da concepção construtivista na alfabetização.
Nas primeiras propostas considera-se que as relações entre o sistema fonológico e os sistemas alfabético e ortográfico devem ser objeto de instrução direta, explícita e sistemática, com certa autonomia em relação ao desenvolvimento de práticas de leitura e escrita, já nas segundas considera-se que essas relações não constituem propriamente objeto de ensino, pois sua aprendizagem deve ser incidental, implícita, assistemática, no pressuposto de que a criança é capaz de descobrir por si mesma as relações fonema-grafema, em sua interação com material escrito e por meio de experiências com práticas de leitura e de escrita. Podemos dizer que, no primeiro caso, privilegia-se a alfabetização, no segundo caso, o letramento.
A concepção tradicional de alfabetização, traduzida nos métodos analíticos ou sintéticos, tornava os dois processos independentes, a alfabetização – a aquisição do sistema convencional de escrita, o aprender a ler como decodificação e a escrever como codificação – precedendo o letramento – o desenvolvimento de habilidades textuais de leitura e de escrita, o convívio com tipos e gêneros variados de textos e de portadores de textos, a compreensão das funções da escrita.
O que se propõe, para concluir é que a alfabetização se desenvolva num contexto de letramento – entendido este, no que se refere á etapa inicial da aprendizagem como escrita, com a participação de eventos variados de leitura e escrita nas práticas sociais que envolvem a língua escrita, e de atitudes positivas em relação a essas práticas. Também é preciso o reconhecimento de que tanto a alfabetização quanto o letramento tem diferentes dimensões, de modo que a aprendizagem inicial da língua escrita exige múltiplas metodologias, algumas caracterizadas por ensino direto, explícito e sistemático, outras caracterizados por ensino incidental, indireto e subordinado a possibilidades e motivações da criança.
·         Aula 19 - Concepções epistemológicas da alfabetização: a perspectiva sociointeracionista.

Inatismo
Ambientalismo
Interacionismo
Relação homem/ meio
H >M
M>H
H<>M
Para aprender é preciso
Ter maturidade e prontidão
A atuação direta do meio sobre o indivíduo
A interação do sujeito com os outros sujeitos
Alunos e professores
O professor só ensina se o aluno estiver pronto
Aluno é quem aprende, professor é quem ensina
Relação mútua de ensinar e aprender
Concepções de alfabetização
Mecanicista
mecanicista
Construtivista e sociointeracionista
Procedimentos didáticos
Exercícios que estimulem a prontidão
Exercícios de treinamento de cópia e repetição
Atividades que estimulem a troca e a descoberta entre as crianças.

·         Aula 20: Concepções epistemológicas da alfabetização: A perspectiva Sociointeracionista
Na perspectiva Mecanicista, a pergunta de “Quem escreve o quê, para quem?” não revelará nenhuma preocupação com o uso social da língua escrita. A criança escreve ou copia para fazer dever. Já para a segunda situação – sociointeracionista – é preciso trazer um exemplo no qual as crianças estejam em interação: as crianças montam um jornal, escrevem uma poesia coletivamente, criam uma história, etc.
 - aquisição da língua escrita na perspectiva de Vygotsky: a perspectiva interacionista ressalta o papel do sujeito na elaboração do seu conhecimento. Reflexões teóricas elaboradas por Vygotsky a respeito do processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita revelam que ensina-se a criança a desenhar letras e construir palavras com elas, mas não se ensina a linguagem escrita. Segundo o pesquisador, a escrita não pode continuar a ser ensinada às crianças como uma complicada habilidade motora por se constituir “um sistema particular de símbolos e signos... que designam os sons e as palavras da linguagem falada os quais, por sua vez, são signos das relações e entidades reais.
- conflito social x conflito cognitivo: A diferença de linguagem evidenciada revela que há uma gramática própria do pensamento que tem origem nas formas sociais de interação verbal. O conflito vivido pelas crianças das classes populares no processo de alfabetização é de natureza social, e não apenas de natureza cognitiva. Na perspectiva histórico-social a construção do conhecimento sobre a escrita não envolve apenas o aspecto cognitivo, mas está inserida no jogo das representações sociais, das trocas simbólicas, dos interesses circunstanciais e políticos. Reconhecida como uma atividade discursiva, a escrita implica uma elaboração conceitual pela palavra e não apenas uma atividade cognitiva.
- Relação desenvolvimento/aprendizagem: A zona de desenvolvimento proximal, elaborada por Vygotsky, confirma o caráter interativo e social da construção de conhecimento ao apontar que as conquistas dos sujeitos aprendentes, possibilitadas pela cooperação num momento anterior, são indicativas das realizações posteriores, no plano individual. Em outras palavras, a criança fará sozinha amanhã o que hoje realiza em cooperação com o outro. O papel da professora, nessa perspectiva, não se limitar a constatar em que fase do desenvolvimento a criança se encontra, mas em atuar como mediadora para que as crianças, a partir da troca e da interação, possam superar seus próprios limites, construindo novos conhecimentos, ao mesmo tempo em que se desenvolve. A alfabetização é um processo discursivo: a criança aprende a ouvir, a entender o outro pela leitura, aprende a falar, a dizer o que quer pela escrita. Enquanto escreve, a criança aprende a escrever e sobre a escrita. Enquanto lê, a criança aprende a ler e aprende sobre a leitura.
 - Conclusão: A criança é um sujeito interativo que avança na construção e apropriação de novos conhecimentos a partir da troca, da relação e da interação com os outros, no espaço da intersubjetividade. A criança constrói conhecimentos num movimento que vai do coletivo (interação com o outro) para o individual (suas conquistas pessoais são fruto das experiências construídas coletivamente). A professora tem um papel fundamental como “mediadora” no processo de aprendizagem da criança ao organizar situações pedagógicas que estimulem as crianças a superar seus próprios limites. A alfabetização é uma atividade discursiva que implica a elaboração conceitual pela palavra.

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